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Li algures que perante todo e qualquer assunto interposto pelo Público, Jerónimo “chuta para canto”. O canto para onde chuta é a “pátria” e seus afins: o que é “nosso”, e o povo a que “pertence”. Já bastava a propaganda “patriótica e de esquerda”  que nos últimos anos poluiu múpis, postes, paredes, vias rápidas, passagens superiores para peões,etc.

Esse aconchego do PCP à “pátria” não é novidade, mas tem indicações perigosas, pouco debatidas e que devem merecer toda a atenção.

Desde o descalabro financeiro de 2008, temos assistido na Europa, essencialmente a duas identidades resistentes à crise.

Uma, a partir do Centro e Norte da Europa, em que o perigo da crise desenvolve-se pelo “medo” do global e do “estrangeiro”. Feito de partidos da extrema direita, isolados entre si. A alegação dos “portugueses preguiçosos” valeu a promoção a 3º partido aos Verdadeiros Finlandeses; e de muitos outros partidos análogos a coligações governamentais.

A outra identidade de resistência à crise promulga-se no Sul da Europa, reúne Portugal, Espanha, Itália e Grécia; e organiza-se em torno de movimentos “inorgânicos”, academicamente denominados por «indignados». Interessa-lhes uma comunhão global contra o perigo da regeneração do capitalismo que nos tentam impôr, vendida como crise. Ao acabar com a dessublimação repressiva ,já não se luta apenas contra essa regeneração  mas contra o capitalismo no seu todo.

Esta é uma guerra que o Capital não vai poder nem querer perder. Por isso, caro Jerónimo, a luta pretende-se global e internacionalista (desculpe-me, a cartilha devia ser sua e não minha).

E é assim, que desde 2008, o Partido Comunista Português tornou-se bastante “patriótico”, nas ideias e na acção. Para a filiação completa do PCP na  identidade de resistência à crise neo-fascista, falta-lhe apenas eleger uns “preguiçosos” no seu discurso, mas da forma como chuta os chineses para “canto”, já esteve mais longe.

A estratégia do PCP é acautelada, sistémica e distante das necessidades da luta.  Bem sabem que a antiga cintura industrial de Paris (representante dos votos cativos do PCF) passou no informacionalismo a votar Frente Nacional. É essa a hipótese digna do “patriotismo” do PCP, contra a perda de votos.                                    Ao querer agregar à força as duas identidades de resistência, a sua falta de savoir faire na luta contemporânea obriga-os a colarem-se  e a serem, apenas a primeira.

A pátria é uma ilusão e está acabada. A sua remanescência é apenas um atraso de vida. Os movimentos “inorgânicos” perceberam-no. De Lisboa há mais fluxos (pessoas, contactos, comunicação) com Madrid, Barcelona, Atenas do que com a Guarda, que por sua vez prefere essas todas e Ciudad Rodrigo a Faro, Braga, ou Porto.

Com a luta a aquecer, vou querer estar com esses todos e não apenas com os vinte comadres lá da terra. Como disse um camarada vosso no outro dia: – “Acabou-se a festa das bandeirinhas”

One thought on “A Patria Inorgânica de Jerónimo

  1. A melhor forma de nada fazer para derrubar o actual Governo e a oligarquia instalada no nosso país é dizer que o plano da luta é internacional.

    Se alguém “chuta para canto” são aqueles que pretendem desviar a luta do terreno nacional, dentro de cada empresa ou sector, dentro da arena de conflitos de classe do nosso país, para uma mais que ilusória tentativa de criar um movimento internacional de luta.

    Mas é fácil perceber porque é que isso acontece. Não existindo coragem para diariamente enfrentar o patrão no local de trabalho, a claque “super-esquerda” evolui para o plano internacional. Não custa nada, não coloca em causa a situação do trabalhador em cada posto de trabalho. Ou seja, é tirada “revolucionária”, fica bem, o patrão gosta que se bata no PCP, e tudo fica na mesma.

    Coragem não é falar na luta internacional, coragem é diariamente enfrentar o patrão no local de trabalho por melhores condições, coragem é dar a cara na manifestação fazendo greve.

    Esta é a diferença.

    Fazer a colagem ao patriotismo a que o PCP apela como forma de defender a soberania nacional à extrema-direita é uma ligeira aproximação ao social-fascismo a que o MRPP pago pela CIA tentou colar o PCP pós 25 de Abril.

    Os do MRPP andam agora bem montados, até no luxo de terem um seu ex-militante como presidente da Comissão Europeia, os radicais de “esquerda” de hoje no futuro terão certamente o meu caminho.

    Porque tendo ou não consciência de que a sua acção é de pura defesa do sistema capitalista, cedo perceberão que o caminho porque optaram não leva a lado nenhum. Depois ou reconhecem que estavam errados e se juntam à luta ou partem para outros destinos de integração no sistema.

    E porque é que o patriotismo é muito importante nesta hora? Porque um dos problemas do país é precisamente a abdicação do capital nacional perante os interesses do capital estrangeiro, comos sempre aconteceu.

    Defender a soberania nacional é um acto revolucionário, porque tenta trazer para o nosso país o controlo democrático dos sectores essenciais, meio indespensável para que um governo com uma política de esquerda possa destruir os alicerces da sociedade burguesa e trazer uma vida melhor ao povo.

    Daí … patriótica e de esquerda, a política necessária.

    Sobre se tudo isto é infantil… não é de certeza com a análise que fazes neste artigo que ganhas autoridade para lançarem uma atordoada dessas. Infantil é repetir o que os outros dizem, bater no PCP só para o patrão pensar que grande revolucionário que tenho aqui… piscando-te o olho todo contente.

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